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terça-feira, 10 de março de 2015

                     Páscoa e Espiritismo

Quando comemoramos a Páscoa, mais uma vez nos defrontamos com cerimônias e posturas que não se coadunam com o homem moderno, do século XXI. Sempre é a mesma coisa, sempre estão acentuando o lado sanguinolento de um evento que ocorreu há cerca de dois mil anos. Ninguém lembra da mensagem de amor do Cristo, em que Ele mostra-nos que somos herdeiros do Altíssimo, que devemos crescer e compreender uns aos outros. Que devemos tolerarmo-nos e caminhar para o Alto. A mensagem continua esquecida. Os homens se prendem a questões externas, sem atentar para o conteúdo moral do exemplo deixado por Ele.
É interessante saber que a origem da Páscoa nada tinha a ver com a crucificação de Jesus, mas tinha a ver com a gratidão dos povos primitivos pela colheita de trigo, ou seja, a "festa dos ázimos", e, posteriormente, a partir de 1441 a.C., ao êxodo do povo judeu do Egito, retornando à Palestina. 
As igrejas atuais incorporaram muitas práticas e cerimônias do judaísmo e de outras culturas. 
Assim, os religiosos, passados poucos séculos da morte física de Jesus, criaram a tal "semana santa", insistindo na hipótese de o Cristo ter subido ao Céu com o corpo físico, num flagrante descaso com as leis da Natureza. 
Ainda hoje, nesta festa chamada Páscoa, entre outras coisas, continuam a passar ideias que Jesus jamais ensinou, como a de não comer carne vermelha e a obrigatoriedade de ingerir somente peixe ou, ainda, de ter que jejuar nesta chamada "sexta-feira santa". 
Em nenhum lugar dos textos evangélicos encontramos Jesus jejuando ou não comendo este ou aquele alimento. Ensinava Ele que "o mal não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca do homem", pois, os judeus observavam muitas regras obsoletas. 
O Espiritismo afirma ser impossível alguém ir viver no Mundo Espiritual com o corpo material, pois, lá é outra dimensão, onde vivem os seres espirituais, que não ingerem alimentos grosseiros como os nossos. A Espiritualidade é um estágio superior ao da materialidade, onde as leis são próprias daquela condição, sendo, portanto, diferentes das que regulam o mundo físico.
No passado, religiosos impuseram uma série de condutas que eram aceitas porque as pessoas não podiam contrariar a igreja dominante, que tinha poder de vida e morte sobre todos. 
Pouco mais de quinhentos anos depois do retorno de Jesus aos planos espirituais elevados, suas ideias já não eram mais seguidas pela igreja dominante. Teólogos deste período criaram dogmas que não podiam ser contestados, desfigurando a Doutrina de Amor e Perdão do Messias. 
A visão Espírita sobre a Páscoa é bem diferente da que se observa por aí, pois não tem dogmas, nem rituais, ou quaisquer cultos externos, explicando racionalmente o Evangelho  do Cristo.
Assim, a Páscoa, do ponto de vista dessas igrejas, está envolvida num contexto negativo de culpa. Pela ótica judaico-cristã, nós, os habitantes deste planeta que nos denominamos cristãos, somos culpados por Jesus ter padecido na cruz para "nos salvar" dos nossos erros e dos erros dos nossos ancestrais, em especial Adão e Eva. Estes personagens bíblicos não passam de uma lenda, haja vista que a história da evolução do homem terrestre na realidade é bem mais longa e complexa do que afirmam os textos bíblicos. As pesquisas científicas demonstram que o homem vive na Terra há dezenas de milhares de anos, bem diferente do que consta no chamado "livro sagrado".
Por outro lado, paralelamente, nesta festa-drama, dita religiosa, que se tornou a Páscoa, se bem analisada, verificaremos que são cerimônias primitivas e sempre repetitivas, nada tendo a ver com o Enviado Celeste, que afirmava ter vindo para que tivéssemos vida. 
Nesta festa temos o comércio e o consumo de produtos acrescentados nos últimos séculos. A obrigatoriedade do consumo de peixe, por exemplo, na sexta-feira, entre outras práticas, raia ao absurdo. Ao longo dos séculos isto foi introjetado nas pessoas ditas cristãs e, até hoje, vemos dificuldade de muitos em perceber que isso nada tem a ver com a crucificação de Jesus e, principalmente, com a Sua mensagem. 
O que tem a ver a carne de qualquer animal com o massacre do Cristo? 
O que pensa Jesus a respeito disso nos dias atuais? 
Acredito que deve lamentar as bobagens que temos inventado, tornando tortuosos os caminhos para encontrá-Lo e seguí-Lo.
E quanto às cerimônias tristes da chamada Via Sacra e o desfecho final, o que pensa Jesus? 
Será que Ele está magoado conosco? Daí vem a culpa inventada por judeus e os ditos cristãos, seguidores nada esclarecidos do Cristo que, menos de trezentos anos depois da Sua partida, criaram uma série de mortificações, sacrifícios e dogmas, despejando, por séculos, goela abaixo em milhões de criaturas, que até hoje nada entenderam da vinda do Messias à Terra, repetindo coisas absurdas. 
Por isso que ainda hoje se vê a repetição desse drama, e que continua sendo alimentado por igrejas que não prestaram atenção à mensagem do Cristo e muito menos possuem noção da realidade espiritual. 
Na verdade, estas religiões estão paradas no tempo. Não aceitaram e continuam não aceitando a Terceira Revelação, que traz maiores esclarecimentos para a Humanidade. 
Por isso volto a perguntar: Estaria Jesus chateado conosco porque não O entendemos e O massacramos há dois mil anos? 
Quando Ele retornou, ao terceiro dia, e passou a encontrar-se com os apóstolos, materializando-se diversas vezes, em nenhum momento queixou-se dos seus carrascos ou dos próprios seguidores que o abandonaram em suas últimas horas de vida física.
E quanto a Judas? Jesus ficou magoado com ele? 
Mas, se o Cristo sabia que Judas o trairia, por que permitiu que tal ocorresse? Por que entregou-se, deixando tudo se consumar?
Muito interessante o que escreveu Pedro de Camargo, em seu livro "Na Escola do Mestre". Ele lança inúmeros argumentos que vão desde a escolha de Judas como apóstolo, sua personalidade, e o conhecimento do Cristo a cerca do que faria. 
O Espírito Amélia Rodrigues, no livro "Trigo de Deus"(psicografia de D. Franco), relata detalhes da visita de Jesus a Judas no Umbral, poucas horas depois da crucificação, dando-lhe amparo e consolo, dizendo-lhe que não o condenava. Vejam que o Cristo jamais se contradisse ao ensinar o perdão. 
Contudo, o que temos assistido nestes vários séculos de obscurantismo, determinado pelos ditos "seus" representantes? Nada em favor de Judas, sempre sendo lembrado como a pior criatura do mundo, segundo esses religiosos. Sempre sendo malhado há mais de dois mil anos.
Assim, caberia ao Espiritismo, o Consolador, primeiro lembrar e interpretar a mensagem de Jesus que consta no Evangelho, segundo, trazendo os próprios personagens que viveram a história, como o próprio Judas, que em conversa com o Espírito Humberto de Campos, no livro "Crônicas de Além-Túmulo"(psicografia de C. Xavier), esclarecendo sua atitude na época da crucificação, comentando sobre suas reencarnações expiatórias até o século XV, encerrando sua evolução neste planeta e, desde aquela época, convivendo com Jesus no Mundo Espiritual.
E as pessoas aqui na Terra a maldizê-lo por centenas de anos, demonstrando uma ignorância tamanha.
Nós, Espíritas, encaramos a Páscoa como a derradeira lição de Jesus para a Humanidade, demonstrando a todos que devemos enfrentar nossas agruras sem revoltas e, provando a todos que a morte não existe, ao retornar no terceiro dia como havia prometido, continuando a orientar seus seguidores e a todos nós até hoje. 
Luiz Alberto Cunha

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

                                         PRECES E REZAS
O Espiritismo, quando estudado seriamente, mostra-nos que a prece é todo ato que fazemos com amor na vida, em casa, no trabalho, na rua. Deus percebe tudo. Tudo o que fazemos em benefício dos outros já é uma prece, pois Deus já sabe o que vai no nosso íntimo. E, naturalmente, tudo flui melhor para aquele que assim age, uma vez que está indo ao encontro da vontade do Pai Supremo. Naturalmente, os Bons Espíritos estarão ao lado daqueles que pensam e fazem o Bem, amparando-os e concedendo-lhes maiores recursos, tal como a parábola dos talentos contada por Jesus.
Muitas pessoas, por desconhecerem este mecanismo, costumam pedir aos outros que orem por elas. Lógico que podemos e devemos orar pelos outros, contudo, não precisamos estar pedindo às pessoas para orarem por nós. Todos temos capacidade de dirigir ao Pai Maior todos os nossos pensamentos e sentimentos, tanto de amparo como de agradecimento.  Somos seus filhos. Não precisamos de intermediários para falar com nosso Pai Celestial, e, muito menos, pagar alguém para solicitar-lhe alguma coisa, como era muito comum há algum tempo. Normalmente, quem assim age, não demonstra nenhum fervor, tendo em vista que entrega a terceiros este encargo. 
Com a vinda do Espiritismo, para aqueles que querem ver, que querem aprender, são descortinadas muitas coisas. Uma delas é que não adianta ficar repetindo rezas, rosários intermináveis, dizendo preces decoradas, como até hoje se observa por incentivo de religiosos atrasados e que mantêm seus seguidores no atraso. Deus ouve quem fala de dentro de si e não apenas pela boca, sem sentir o que diz. As tais rezas repetitivas não chegam a Deus, porque são da boca para fora e não de dentro da alma. Não partem do coração, como se diz. 
Em poucos segundos podemos elevar o nosso pensamento ao Criador e dizer-lhe algo de que necessitamos ou de gratidão a Ele. Não há necessidade de muito falar, como faziam os fariseus nas sinagogas lá na Palestina antigamente. 
Nós que nos dizemos cristãos, é bom lembrarmos que Jesus disse, certa vez, que não deveríamos nos assemelhar aos hipócritas que "oram de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas para serem vistos pelos homens". Também disse que não deveríamos pedir muito nas preces, como faziam os pagãos, que imaginavam que seriam atendidos pela multiplicidade das palavras. Jesus conclui dizendo que "vosso Pai sabe do que tendes necessidade, antes que lho peçais". 
E, nos dias atuais, nas redes sociais,  muitas pessoas, pelo visto,  que nunca estudaram os evangelhos à luz do Espiritismo, que nunca estudaram nenhum livro de Allan Kardec, lamentavelmente, ficam  a pedir "amens" para tudo, como se fossem resolver alguma coisa. Quem quer o bem dos outros basta pensar, desejar o bem delas, se não puder fazer nada concretamente, diretamente. Mas não existem palavras mágicas com poderes ditos sobrenaturais, como os tais mantras que certos povos de regiões asiáticas  utilizam.  
O homem tem o poder de realizar inúmeras coisas. Como somos filhos de Deus, Espíritos por Ele criados, sabemos que, quanto mais evoluirmos, mais descobriremos que nossa mente é poderosa e que deve ser utilizada para construir, para ajudar, para sermos úteis em qualquer lugar do Universo. 
Assim, quando pedirmos algo a Deus, os Bons Espíritos virão para auxiliar-nos a encontrarmos o melhor caminho, pois Deus não atende diretamente os seus filhos. Para tanto, existem bilhões de Espíritos em níveis diferentes para realizarem a Sua vontade. Para tudo, os Bons Espíritos  atendem em nome de Deus, conforme o nosso merecimento e a nossa necessidade. Como explica Allan Kardec, "o que Deus lhe concederá sempre, se ele o pedir com confiança, é a coragem, a paciência, a resignação. Também lhe concederá os meios de se tirar por si mesmo das dificuldades, mediante ideias que fará lhe sugiram os Bons Espíritos, deixando-lhe dessa forma o mérito da ação. Ele assiste os que se ajudam a si mesmos, de conformidade com esta máxima: 'ajuda-te que o Céu te ajudará'."
Mas existem outras questões que dizem respeito à prece, como o perdão, por exemplo. Não podemos nos dirigir a Deus quando temos mágoa dentro de nós porque alguém nos feriu, nos prejudicou. Como endereçar pedidos ao Criador com ódio no coração? Por isso mesmo que Jesus, lá no seu evangelho, lembra: "Quando vos aprestardes para orar, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai-lhe, a fim de que vosso Pai, que está nos Céus, também vos perdoe os vossos pecados. Se não perdoardes, vosso Pai, que está nos Céus, também não vos perdoará os pecados". 
Veja mais detalhes do pensamento de Jesus, à luz do Espiritismo, sobre este e  outros temas em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec. 
 Luiz Alberto Cunha

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

                          Deturpações no Espiritismo
Vários autores de nomeada têm, ao longo desses 158 anos, alertado para as tentativas de deturpação da Doutrina Espírita. O professor José Herculano Pires e o Dr. Ary Lex, entre outros autores encarnados e desencarnados, contribuíram enormemente para a manutenção da pureza doutrinária, com obras esclarecedoras, nas quais, agora, nos debruçamos.
O Dr. Ary Lex, profeticamente, asseverou: "Tememos que esteja ocorrendo, no Movimento Espírita, o que aconteceu com o Cristianismo primitivo. Enquanto ele contava com número reduzido de crentes e era perseguido, até com a tortura física e o sacrifício dos cristãos, foi puro, espiritualizado, como o Cristo nos legou. Mas, no momento em que foi admitido pelo poder temporal de Roma e as massas ignorantes o aceitaram, estas foram impondo suas crendices, suas superstições, trazidas do fetichismo e do paganismo. Foram nele infiltrando seus rituais, explicações infantis e nebulosas, solenidades, mistérios, palavras exóticas. À medida que o ritual avassalava a nova igreja, aliada agora de reis e imperadores, a essência do Cristianismo foi sendo relegada a segundo plano e, afinal, esquecida.
Com o Espiritismo há o perigo de acontecer o mesmo. Enquanto ele contava com ínfima minoria da população e seus profitentes eram injuriados e atacados por pastores de outras religiões, só os mais corajosos e com boa base doutrinária ousavam reunir-se nas Casas Espíritas. À medida que a palavra dos Espíritos passou a ser ouvida em toda a parte, à medida que os grandes médiuns começaram a atrair multidões, e os livros Espíritas clarinaram ao mundo os princípios da Terceira Revelação, multidões acorreram aos Centros Espíritas. Infelizmente não foram em busca de uma iluminação interior, de uma explicação para as torturantes dúvidas filosóficas, mas do remédio pronto e fácil para todas as mazelas do corpo e do Espírito. Essa grande massa de raciocínio simplista não possuía o menor interesse na Doutrina e, sim, no que poderia obter de imediato e material. Queria encontrar dentro do Movimento Espírita, os mesmos rituais e solenidades aos quais estava afeita.
Muitos dirigentes, temendo ficar com as Casas vazias, até hoje vão cedendo, fazendo sempre uma pequena concessão, aparentemente inócua, amanhã outra, e assim por diante. Quando se perceber, a prática mediúnica e as reuniões estarão totalmente deturpadas, com a introdução de vestes especiais, defumações, cantos e hinos, bustos e estátuas, oferendas, títulos nobiliárquicos, "casamentos espíritas", batizados, posições especiais para orar, etc."
Isso tudo constatamos aqui no Rio Grande do Sul e em outros Estados brasileiros. 
Agora, esta mesma massa ignara encontra-se também no Facebook e na internet em geral, utilizando-se do nome da Doutrina Espírita para espalhar crendices e bobagens, confirmando a visão profética do Dr. Ary Lex, lamentavelmente. Luiz Alberto Cunha 
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

              Por que "Luto" Se a Morte Não Existe?

Quando assistimos a manifestações de pesar pela morte de alguém, amigo ou familiar, ou mesmo pessoa famosa, por questões de saúde, ou, ainda, quando ocorre algum acidente ou evento destruidor, verificamos o grau de consternação e inconformação em que está impregnada a maioria dos habitantes deste planeta.
E por que tanta consternação e inconformação? Por que o chamado "luto" se a vida continua?
Isso tudo só vem a demonstrar que grande parte das pessoas ainda não têm convicção de que somos Espíritos encarnados e que a vida continua,ou seja, de que ninguém morre efetivamente quando o corpo físico se extingue. 
Constatamos, infelizmente, que não existe uma Educação para a Morte, como ensinava o Professor Herculano Pires. Segundo ele, “as religiões podiam ter prestado um grande serviço à Humanidade se houvessem colocado o problema da morte em termos de naturalidade. Mas, nascidas da magia e amamentadas pela mitologia, só fizeram complicar as coisas. Como disse Victor Hugo “morrer não é morrer, mas apenas mudar-se". A mudança simples de que falou Victor Hugo transformou-se, nas mãos de clérigos e teólogos, numa passagem dantesca pela "selva selvaggia" da Divina Comédia. O clero cristão, tanto católico como protestante, tanto do Ocidente como do Oriente, perdeu a capacidade de socorrer e consolar os que se desesperam com a morte de pessoas amadas. Seus instrumentos de consolação perderam a eficiência antiga, que se apoiava no obscurantismo das populações  permanentemente ameaçadas pela Ira de Deus". 
O Espiritismo é o Consolador prometido por Jesus e veio do Alto para mostrar a todos que somos Espíritos e que renascemos aqui na Terra para cumprirmos etapas de progresso, além de retificarmos atitudes equivocadas que tomamos no passado.
Já são 158 anos de Doutrina Espírita, trazendo, além das obras de Allan Kardec que a fundamentam. Inúmeras outras obras com os depoimentos das pessoas que já deixaram este mundo circulam por todo o mundo, principalmente aqui no Brasil. 
Eles, os Espíritos que partem antes de nós, voltam para acalmar seus entes queridos e para demonstrar a todos em geral que ninguém morre. São milhares de recados enviados através de centenas de médiuns, brasileiros e estrangeiros, consolando as pessoas que acreditavam terem "perdido" seus amados.
E o que está faltando, então, para não ficarmos de "luto"?
Falta-nos fé em Deus e conhecimento de nós próprios, ou seja, quem somos, o que fazemos aqui e o que faremos depois. Temos que confiar que Deus faz tudo sabiamente correto. E temos que buscar informações que nos robusteçam o entendimento, a fim de termos convicção de que somos Espíritos indestrutíveis, que nossos corpos físicos são temporários e que, em qualquer idade, podemos partir daqui, retornando ao Mundo Espiritual, que é o mundo originário.
Em suma, todos somos Espíritos que passamos um certo tempo aqui na Terra. Por isso o Mestre dos mestres já alertava-nos que deveríamos buscar primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça, entre outros ensinos, para não vivermos iludidos com tudo o que pertence à Terra. 
E quanto ao "luto", Jesus ensinou que devemos "deixar aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos", significando que, frente à Espiritualidade, a morte física é secundária. O que restou da matéria, se não for aproveitada em transplantes para pessoas que estão na fila à espera de algum órgão vital, a Natureza se incumbirá de retomá-los. Luiz Alberto Cunha
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sábado, 27 de dezembro de 2014

                            MAIS UM NOVO ANO
Ao encerrarmos mais um ano de muitas atividades, naturalmente fazemos um balanço do que aconteceu em nossas vidas, apontando as coisas boas e as ruins,sendo que, em geral, damos ênfase a estas últimas, como fazem os canais de TV, fazendo as tais "retrospectivas", revivendo as tragédias que chocaram famílias e povos neste período.
Mas, todos esperamos que o ano novo que se inicia seja diferente, com muitas coisas boas, mesmo que, muitas vezes, sejam coisas que prejudiquem a nossa saúde, ou sejam obtidas com mais facilidade, através de atalhos. O que importa, para muita gente, é chegar lá, é usufruir de algo cobiçado, como dinheiro, por exemplo, que compra quase tudo. Só não compra a nossa paz, e muitas vezes nem a saúde. Mas só sentimos falta de paz e saúde quando as perdemos, quando vem as atribulações, e temos de enfrentar as aflições. 
Aqui neste planeta, que Allan Kardec explica ser um local de provas e expiações, jamais o homem foi verdadeiramente feliz, porque a felicidade não é deste mundo. Estando o homem em evolução, é natural que o ambiente em que viva não seja ainda um paraíso. O paraíso é reservado àqueles que já se aperfeiçoaram, para merecê-lo.
E aqui na Terra ainda estamos em fase de construção. Nossa morada planetária ainda requer muitas lapidações, muitos ajustes, tanto internos como externos, para tornar-se uma boa morada. 
E toda construção deve basear-se na rocha firme para não ser abalada. Ao longo dos tempos, e até hoje, muitos têm edificado "suas moradas" sobre a areia, que não resistem aos ventos e às águas, ou seja, não resistem às mudanças, às tribulações que todos estamos sujeitos, devidas aos nossos atos anteriores, e, cujo objetivo das provas é fortalecer-nos, é testar-nos, aferindo-nos, para que nos tornemos aptos para habitar o chamado paraíso.
Que no ano que se inicia, possamos manter nosso propósito de construção de um mundo melhor, fazendo-nos melhores trabalhadores. Que sejamos mais diligentes com a parte que nos compete nesta obra, trabalhando todos os dias, dedicando-nos e empregando os melhores materiais que a comporão. 
Como se faz nas obras materiais, temos que ter esmero nas obras espirituais, pois, é nosso Espírito que está sendo lapidado, que está sendo embelezado, para poder fazer parte de um mundo mais elevado, mais equilibrado e belo.
Se assim fizermos, em breve teremos uma casa melhor, um mundo melhor e uma vida verdadeiramente feliz.  
Que saibamos aproveitar este novo tempo que o Criador nos concede para edificarmos o bem todos os dias, trabalhando pelo nosso e pelo aprimoramento dos que dependem de alguma forma de nós. 
E o que Deus espera de nós? Ele espera que façamos todo o bem que esteja ao nosso alcance, olhando para os lados, procurando atender aos inúmeros necessitados de tantas coisas, principalmente de uma palavra, de um sorriso, de uma orientação, de uma atenção.    
Quando o dia tem 24 horas, o que são 5 ou 10 minutos do nosso tempo para darmos a alguém que está carente ou está doente? É isso que Deus espera de nós e é isso que nos elevará ao Paraíso, ou seja, à paz interior em qualquer lugar do Universo.
Façamos algo por nós no novo ano que está chegando, pensando primeiro no outro, dando-lhe uma migalha do nosso tempo.
Luiz Alberto Cunha   www.radiomundoespirita.com

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

                           MAIS UM NATAL
O Messias esperado pelos judeus já veio há mais de dois mil anos. O aniversário Dele é agora, no chamado Natal, uma data convencionada para homenageá-Lo. Parece que os homens O esqueceram ou ainda não O encontraram, pois colocaram um senhor idoso no Seu lugar na fantasiosa função de entregar presentes comprados à custa de sacrifícios desnecessários. Interessante que o aniversariante nunca incentivou o consumismo e o apego aos bens materiais, muito pelo contrário. Os próprios homens se encarregaram de criar cerimônias e rituais, ceias especiais, trocas de presentes, enfeites, etc., num flagrante distanciamento do que ensinou o Mestre nazareno, ou seja, caridade e amor.
Observamos que uma Rede de TV tem convidado milhões de telespectadores a enviarem mimos para sua árvore de natal, mas não é capaz de pedir alimentos para os famintos, roupas ou algo útil para os necessitados. Estão há semanas tratando da decoração de uma árvore, que logo será desmontada e tudo o que ela contém não será útil para ninguém. Mas o mais triste é que não disseram uma palavra sequer sobre Jesus, o único motivador do Natal. Nada falaram sobre o Seu nascimento, sobre a sua vida exemplar e, principalmente, o que Ele ensinou. Para a Rede de TV e para milhões de pessoas neste pedaço do mundo chamado de Cristão, lamentavelmente, tudo gira em torno de enfeites, comidas especiais, compras e o bondoso velhinho que não representa Jesus, mas foi colocado no Seu lugar para iludir as crianças durante um certo tempo, até que se deem conta que tudo não passa de fantasia.
E Jesus não entra em sua própria festa, pois, não tem fantasia. Sua vinda à Terra reveste-se de grande importância para todos nós. Ele não fez nada de conta. Ele não iludiu ninguém nem pediu bens materiais para que nos aproximássemos Dele. Foi simples e humilde desde a manjedoura até o último dia. 
Deixou-nos um legado de altíssimo valor. Até hoje ainda não conseguimos avaliá-lo. Até hoje ainda não abrimos o tesouro que Jesus nos legou. Ainda não tomamos posse de tão valiosa propriedade. Por quê?

Deve ser porque preferimos as coisas do mundo. Damos muito valor às aparências e aos bens que possam comprá-las para podermos nos exibir perante os outros.
E as crianças são as maiores vítimas dessa fantasia. Crescem e são incentivadas a manter uma tradição que não tem nada a ver com o Salvador, o Espírito mais avançado que já esteve aqui na Terra. Pelo que sabemos, ninguém conta a história de Jesus para as crianças, que, nesta época, são incentivadas a sentar no colo do tal  senhor de barbas brancas para tirar fotografias e que, mentirosamente, lhes trará presentes se alguém, logicamente, os comprar nas lojas. A maioria das pessoas se afundam em crediários sem fim em função de se encherem de coisas, mas ninguém lembra do Divino Aniversariante, de dar-lhe o presente que Ele tanto espera de nós. E o que Ele espera de nós? 
Ele espera de nós que abramos os nossos corações para todos os que sofrem, buscando confortar e amparar muitas pessoas que sofrem pela falta de atenção, pelo abandono dos parentes nos asilos, nos hospitais, nos orfanatos. Quantos desvalidos do mundo perambulam pelas ruas sem nenhuma chance de viverem como nós vivemos, sem alimentos, sem um agasalho ou sem um teto que os abrigue. Quantas crianças crescem sem educação, sem orientação? Nós tudo isso temos e muito mais, sem ter a noção que tudo é empréstimo de Deus e que nada nos pertence. Usufruimos egoisticamente  tudo o que está à nossa disposição, nunca lembrando de ajudar alguém para superar suas dificuldades. Nunca pensamos em manter uma criança na escola, ajudando-a a ter um bom material escolar ou,  a manter um jovem na universidade. Pensamos que somos donos de bens e valores e achamos ótimo ter tantas coisas. Só não pensamos que nada disso nos acompanhará em nossa viagem de retorno à Pátria Espiritual. Lá só entrarão os bens que distribuímos, isto é, o que fizemos em prol das pessoas. 
Interessante é que uma grande parte das pessoas age mecanicamente todos os anos, em todos os Natais. Montam pinheirinhos, enchendo-os de mimos, enfeitam suas casas, suas ruas, preocupam-se em comprar presentes para familiares e amigos, estipulam valores para os tais "amigos secretos", seguem orientações para preparar a famosa "ceia de natal", com inúmeras iguarias e bebidas, tudo isso não tendo nada a ver com o verdadeiro Natal, ou seja, o aniversário de Jesus. E o aniversariante não ganha nada. E todo o ano é a mesma coisa. Estão longe de comemorar o verdadeiro Natal.
Lógico que algumas pessoas já meditam sobre o maior evento da Cristandade. Fogem de tudo o que é exagero e tradições sem sentido, até mesmo irracionais. Algumas procuram levar alguns brinquedos para crianças pobres e alimentos para os moradores de rua. São os primeiros passos para buscarem o verdadeiro sentido do Natal. Outros, já evitam o consumismo nesta época, adotando uma postura sóbria, procurando lembrar os ensinos do Cristo e a sua importância para a Humanidade. Trabalham o ano inteiro em prol dos necessitados, isto é, participam de atividades caritativas, distribuindo alimentos e agasalhos no inverno, visitando doentes, idosos e crianças abandonadas, atendendo a inúmeras solicitações de pessoas que perderam tudo em incêndios e inundações, desempregados, etc. Para estes, o Natal é o ano todo, uma vez que já entenderam o seu significado. Na verdade, trabalham para instalar na Terra o Reino de Deus, promovendo nosso planeta para a Era da Regeneração, onde poderemos viver melhor, onde todos serão atendidos em suas necessidades básicas e onde os bons predominarão. 
Que o Senhor permita que despertemos neste Natal, com muitos abraços e reconciliações, muito amor por toda a Humanidade. Assim, comemoraremos, efetivamente, o verdadeiro Natal, que partiu da simplicidade da manjedoura, em Belém, e vai transformando o mundo em direção ao Reino de Deus.  Luiz Alberto Cunha  
Ouça as maravilhosas músicas Espíritas, mensagens e audiobooks de Allan Kardec, na Rádio Mundo Espírita, 24 horas transmitindo a Doutrina Espírita para o Mundo.
www.radiomundoespirita.com 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

                               ESPIRITISMO AUSENTE 
Acordei cedo e, antes de ligar o rádio, pedi a Deus uma ajuda para achar o caminho para voltar a divulgar a Doutrina Espírita através de emissoras de rádio aqui na Grande Porto Alegre, haja vista a total ausência do Espiritismo neste meio de comunicação aqui no Rio Grande do Sul.
Há vários dias estive falando com muitos músicos Espíritas de vários Estados brasileiros, uma vez que sempre estamos em busca de suas músicas para mantermos a www.radiomundoespirita.com atualizada, e, estava preocupado com alguns dados referentes às emissoras de rádio de Porto Alegre e área metropolitana, pois lembrava a eles que temos  cerca de 40 emissoras por aqui e que nenhuma delas transmite algum programa sobre Espiritismo. Na verdade, nós Espíritas é que não divulgamos a Doutrina, deixando-a escondida nas bibliotecas e nas Casas Espíritas, achando que está muito bom, que estamos fazendo o máximo pela Doutrina.
E estava passando o dial do meu pequeno rádio, contando as emissoras quando, lá pelas tantas,  perdi as contas ao passar por uma certa rádio e ouvi que algumas pessoas de determinada religião afirmavam, com base na Bíblia, que o ser humano morre e vira pó, só acordando no famigerado Juízo Final.
É a tal ressurreição dos mortos  que não tem fundamento científico e só serve para os filmes horrorosos de Hollywood, em que os cadáveres saem dos túmulos, caindo aos pedaços e atacando as pessoas. Ridícula fantasia e com absoluta impossibilidade de ocorrer. Então, fiquei pensando naquelas pessoas que ouvem uma coisa dessas e naquelas que  acreditam nestas interpretações nada racionais do texto bíblico e mais uma vez lamentei a ausência do Espiritismo nos meios de comunicação. Que explicação pobre e irracional davam eles. Bilhões de pessoas que morreram há milhares de anos viraram pó e estão esperando até hoje pelo tal juízo. Será que, sendo pó, o vento não as levou por aí? Sim, porque o pó dispersa. E nem preciso falar nos micróbios que comem os cadáveres. Ah! mas Deus como é poderoso vai juntar o pó do mundo todo e vai fazer reaparecer cada pessoa, como era antes... E por aí vai a ideia absurda de juntar o pó num passe de mágica e refazer as pessoas com a mesma aparência. É bem mais fácil estudar o Espiritismo e raciocinar sobre as ponderações feitas por Allan Kardec e os Espíritos Superiores sobre nossa origem, onde é nossa pátria original, além das leis que nos regem, como a do progresso, causa e efeito e da reencarnação, por exemplo.
Na questão 149, de "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec pergunta aos Espíritos Superiores em que se torna a alma no instante da morte. Eles responderam que a alma retorna ao mundo dos Espíritos, isto é, volta a ser Espírito. E Kardec complementa na questão 150:  Como constata a alma a sua individualidade?  E a resposta foi: - "Ela tem ainda um fluido que lhe é próprio, tomado da atmosfera de seu planeta e que representa a aparência de sua última encarnação: seu "perispírito."
E na questão 152 do mesmo livro, Kardec indaga  qual seria a prova da individualidade da alma após a morte e a resposta dos Espíritos foi:
- "Não tendes esta prova pelas comunicações que obtendes? Se não fosseis cegos, veríeis; se não fosseis surdos, ouviríeis, pois, frequentemente, uma voz vos fala, revelando a existência de um ser fora de vós."
Voltando à ausência do Espiritismo nas emissoras de rádio, quantas coisas ruins acontecem por aqui e no resto do mundo, por desconhecimento ou falta de conscientização do ser humano de que ele é um Espírito dentro de um corpo físico, vivendo aqui no planeta por um certo tempo?
Devido à ausência da Doutrina Espírita, bilhões de pessoas continuam desconhecendo as   leis divinas que devemos observar para vivermos em equilíbrio aqui e no Além.
Se o ser humano souber, tiver consciência, do que é e o que faz aqui na Terra, com certeza ele vai agir de maneira diferente, pois, terá uma visão bem mais ampla de tudo o que o rodeia e o papel que lhe compete realizar. Saberá lidar com todas as agruras que surgirem em seu caminho. Não ficará mais desesperado quando a doença atingí-lo ou a algum familiar. Conformar-se-á com a morte de qualquer um de seus afeiçoados, pois terá certeza de que  eles continuarão vivos no outro mundo.
Compreenderão que todos os eventos fatais e que não tiveram a sua participação,  são determinados pelo Senhor da Vida, que sempre quer o melhor para nós, embora nada compreendamos...
Não sofrerá porque não tem objetos valiosos que em nada modificam a essência de sua vida. Não perderá o tempo e a saúde na busca de coisas que não lhe trazem a verdadeira felicidade.
Sabedor de que é um Espírito, trabalhará para que, num futuro breve, esteja mais aperfeiçoado e livre das mazelas que o infelicitam, como os vícios de toda ordem.
Muitas pessoas, por falta de uma orientação racional e inteligente, diante de afirmações absurdas de representantes de muitas religiões, que não usam a razão para interpretar os textos antigos carregados de simbologia, haja vista que foram escritos para pessoas de milhares de anos atrás, passam a ser descrentes.
É que o ser humano evoluiu intelectualmente de lá para cá, deixando de ser aquela criança intelectual daqueles tempos. Assim são os conhecimentos de hoje. Quem continuar no beabá dos ensinos antigos, sem embasamento científico, sem compromisso com a racionalidade dos tempos atuais está colaborando com a descrença  e incentivando o materialismo.
Hoje temos cerca de 350 milhões de pessoas depressivas no mundo. Por quê?
O Rio Grande do Sul é o líder em suicídios no Brasil, segundo dados divulgados há poucos dias. Por quê?
Milhares se suicidam por inúmeros motivos, tudo porque não têm fé no futuro. Os religiosos disseram-lhes que virariam pó... Então, pensavam e pensam essas pessoas mal orientadas, vamos acabar com tudo, para não sofrer mais. Muitos chegam a matar a família toda para que não sofram. Não têm consciência de que são Espíritos em jornada pela Terra. Desconhecem as leis divinas que nos regem e por isso sofrem, e por isso ficam doentes, e por isso cometem desatinos.
E assim, todos os crimes, todas as violências, todos os desequilíbrios, todas as desgraças provocadas. Tudo parte de um homem sem educação moral, que não é informado do porquê da vida e da sua condição de Espírito eterno, que caminha para a perfeição. Mas, como ele é regido por leis divinas, será responsabilizado pelos excessos que cometer.  E o pior é que, muitas vezes, ele agrava tais sofrimentos ao cometer mais atos nefandos, comprometendo ainda mais o presente e o futuro. Tudo, em grande parte, porque não recebe educação moral. Tudo porque, nós Espíritas não colocamos a candeia no alto para iluminar os que carecem de luz, como ensinava Jesus.
Há mais de 158 anos que a Doutrina Espírita está na Terra. Quem a estuda passa a ter outra visão de si e de tudo o que o rodeia.
E, com certeza, o mundo não ficará melhor enquanto cada um não fizer a sua parte.
Se já obtivemos alguma luz com os conhecimentos Espíritas, não esqueçamos que milhões de pessoas andam pelo mundo feito zumbis ainda não decompostos, prejudicando-se e destruindo-se, sem saber que existe algo bem melhor do que a ignorância que os maltrata e os faz sofrer. O título de  "trabalhadores da última hora" significa que devemos trabalhar mais e melhor para merecer o salário. E a vinha ainda tem muito serviço...  Luiz Alberto