Páginas

quarta-feira, 16 de setembro de 2015


                 Kardec e os espíritas dissidentes

Na viagem que Allan Kardec fez pela França, em 1861, entre outras coisas que ouviu, foi a crítica de não lutar para trazer de volta pessoas que se afastavam dele, do Espiritismo.
Ele admite em público: "- Jamais dei um único passo nesse sentido e aqui estão os motivos de minha indiferença". Uma lista implacável, especialmente para alguém que rejeitava o uso do adjetivo "imperdoável": os que se aproximavam dele o faziam por conveniência, atraídos pelos princípios da doutrina, e não por sua companhia; os que se afastavam dele também o faziam por conveniência, pela descoberta da falta de afinidades em determinadas questões.
"Por que então eu iria contrariá-los, impondo-me a eles? Parece-me mais conveniente deixá-los em paz".
"Para um que parte, há mil que chegam. Julgo um dever dedicar-me, acima de tudo, a estes, e é isso que faço".
Orgulho? Desprezo pelo próximo? Kardec lançou as perguntas e deu a resposta: - "Não, honestamente não. Não desprezo ninguém. Lamento os que agem mal e isso é tudo".
"Coloco em primeira instância oferecer o consolo aos que sofrem, erguer a coragem aos decaídos, arrancar um homem de suas paixões, do desespero, do suicídio, detê-lo talvez no limiar do crime! Não vale mais isto do que os lambris doirados?"
"Guardo milhares de cartas que, para mim, mais valem do que todas as honrarias da Terra e que olho como verdadeiros títulos de nobreza. Assim, pois, não vos espantei se deixo partir aqueles que viram as costas".

segunda-feira, 1 de junho de 2015


          Deturpações Doutrinárias no Espiritismo – Ramatis
Há cerca de 60 anos, surgiu no Paraná, um médium até então desconhecido no meio Espírita daquele Estado, por não militar na Federação ou em núcleos conhecidos. Começou com algumas mensagens, recebidas sempre sozinho em sua residência, atribuídas a um Espírito de oriental, cujo pseudônimo adotado foi Ramatis. A que mais aceitação obteve foi “Magia de Redenção”, já, então, preocupado o autor com os problemas da Magia e com os habitantes de outros astros. Seu livro “A Vida no Planeta Marte”, foi um verdadeiro sucesso. Tornou-se a coqueluche de milhares espiritualistas. Queriam os crentes saber se os marcianos tinham mãos como as nossas, olhos, nariz, iguais aos nossos, escudos, etc. Entende-se o sucesso, conhecendo-se a tendência à fantasia, comum em nosso povo. Já estavam surgindo filmes americanos de ficção. Ainda, por cima, os livros de Ramatis foram escritos com redação boa, agradável sequência, e, no meio dos absurdos, muitas noções exatas e conceitos interessantes.
Os livros de Ramatis passaram a ser muito vendidos e lotaram as livrarias e bibliotecas espíritas praticamente do Brasil inteiro. Em muitos Centros Espíritas e Federações vendia-se mais Ramatis do que o total dos livros da Codificação! Diziam: “Kardec está superado, pois temos, agora, as novas revelações de Ramatis”.
Felizmente ainda existem pessoas equilibradas e que sabem analisar as coisas. J. Herculano Pires, esse brilhante sociólogo e jornalista, que brindou o mundo Espírita com numerosos livros de alto valor, mantinha, no Diário de São Paulo, durante muitos anos, uma coluna com o pseudônimo “Irmão Saulo”, lida por Espíritas e não-espíritas. Herculano resolveu fazer uma oportuna campanha de esclarecimento, com relação aos livros de Ramatis, publicando numerosos comentários naquele jornal. Reconhecendo o valor intelectual de Ramatis, mas igualmente conhecendo o perigo das ideias exóticas, Herculano classificou-o como Espírito “pseudo-sábio”. Realmente. “Perigoso não é o expositor ou autor que só diz tolices, vazadas em linguagem obscura, pobre, cheia de erros gramaticais e ideias pueris. Perigoso, sim, é o que expõe certo número de noções exatas, que usa argumentação brilhante, mas introduz, de permeio, ideias erradas e perigosas. Assim, tais ideias têm grande probabilidade de aceitação. É o que acontece com Ramatis”.
Vejamos o que diz “O Livro dos Médiuns”, pergunta 296 – Pergunta sobre os outros mundos: “Qual o grau de confiança que podemos ter nas descrições dos Espíritos sobre os outros mundos?
R. – Isso depende do grau de adiantamento real dos Espíritos que dão essas descrições. Porque compreendeis que os Espíritos vulgares são tão incapazes de vos informar a respeito, como um ignorante o seria, entre vós, no tocante aos países da Terra. Formulais, muitas vezes, sobre esses mundos, questões científicas que esses Espíritos não podem resolver. Se são de boa fé, falam a respeito disso, segundo suas ideias pessoais. Se são levianos, divertem-se a vos dar “descrições bizarras e fantásticas”, tanto mais que esses Espíritos, tão imaginosos na erraticidade, como na Terra, tiram da própria  imaginação o relato de muitas coisas que nada têm de real”. Retrato perfeito de Ramatis, traçado 100 anos antes...
Em cada ano, vinha um livro de Ramatis. Em 1962, “O Sublime Peregrino”, contando a vida de Jesus. A diretoria da Federação Espírita do Estado de São Paulo, preocupada com o rumo que as coisas tomavam, solicitou à Comissão de Doutrina que fizesse um estudo minucioso e desapaixonado sobre esse livro. A Comissão, da qual fazíamos parte, elaborou o seguinte parecer, que foi aprovado unanimeme:nte pelo Conselho Deliberativo da FEESP: “O livro em apreço apresenta algumas facetas interessantes e vários capítulos perfeitamente aceitáveis; todavia, contém erros doutrinários clamorosos à luz do Kardecismo, como os contidos nos capítulos IV E V, que poderão semear a confusão nos meios Espíritas. Admite a influência astral sobre as criaturas como força decisiva no seu destino (páginas 36 e 54); e, pior de tudo, faz distinção entre Jesus e o Cristo, dizendo que ‘o Cristo Planetário’ é uma entidade arcangélica, enquanto Jesus de Nazaré foi o seu médium mais perfeito na Terra”. (Pág. 62)
“Ramatis usa, constantemente, imagens e expressões católicas, como: arcanjo planetário, comando angélico, empreitada satânica, angelitude, coletividades satânicas,  espíritos diabólicos, ‘salvador dos homens’, atender à vontade do Senhor, ‘a fim de redimir a humanidade’, etc. Jesus ‘se glorificou pela sua própria morte sacrificial da cruz’, ‘carregava nos ombros frágeis a cruz das dores e do sofrimento de todos os homens’.”
“A todo instante, valoriza a influência dos astros, coisa jamais aceita por Kardec. Introduz conceitos orientais na interpretação da vida de Jesus.
Para que não haja confusões doutrinárias, considera a Federação que a leitura do livro só deveria ser feita por pessoas bem esclarecidas na Doutrina, com capacidade para extrair as noções  boas da obra, escoimando-as das graves falhas à luz da Codificação, a fim de que se evitem os perigosos desvios doutrinários, uma vez que a obra não pode ser considerada de teor espírita, face à Codificação Kardecista, por vir profundamente eivada de expressões não-espíritas, essencialmente esotéricas e católicas”. (Ary Lex-Pureza Doutrinária)
 
 

domingo, 3 de maio de 2015


                      Emigrações e imigrações dos Espíritos

No intervalo de suas existências corporais, os Espíritos se encontram no estado de erraticidade e formam a população espiritual ambiente da Terra. Pelas mortes e pelos nascimentos, as duas populações, terrestre e espiritual, desaguam incessantemente uma na outra. Há, pois, diariamente, emigrações do mundo corpóreo  para o mundo espiritual e imigrações deste para aquele: é o estado normal.

Em certas épocas, determinadas pela Sabedoria Divina, essas emigrações e imigrações se operam por massas mais ou menos consideráveis, em virtude das grandes revoluções que lhes ocasionam a partida simultânea em quantidades enormes, logo substituídas por equivalentes quantidades de encarnações. Os flagelos destruidores e os cataclismos devem, portanto, serem considerados como ocasiões de chegadas e partidas coletivas, meios providenciais de renovação da população corporal do globo, de ela se retemperar pela introdução de novos elementos espirituais mais depurados. Na destruição, que por essas catástrofes se verifica, de grande número de corpos, nada mais há do que “rompimento de vestiduras”; nenhum Espírito perece; eles apenas mudam de planos; em vez de partirem isoladamente, parte em bandos, essa a única diferença, visto que, ou por uma causa ou por outra, fatalmente têm de partir, cedo ou tarde.

As renovações rápidas, quase instantâneas, que se produzem no elemento espiritual da população, por efeito dos flagelos destruidores, apressam o progresso social; sem as emigrações e imigrações que de tempos a tempos lhe vêm dar violento impulso, só com extrema lentidão esse progresso se realizaria.

É de notar-se que todas as grandes calamidades que dizimam as populações são sempre seguidas de uma era de progresso de ordem física, intelectual, ou moral e, por conseguinte, no estado social das nações que as experimentam. É que elas têm por fim operar uma remodelação na população espiritual, que é a população normal e ativa do globo.

Essa transfusão, que se efetua entre a população encarnada e desencarnada de um planeta, igualmente se efetua entre os mundos, quer individualmente, nas condições normais, quer por massas, em circunstâncias especiais. Há, pois, emigrações e imigrações coletivas de um mundo para outro, donde resulta a introdução, na população de um deles, de elementos inteiramente novos. Novas raças de Espíritos, vindo misturar-se às existentes, constituem novas raças de homens. Ora, como os Espíritos nunca mais perdem o que adquiriram, consigo trazem eles sempre a inteligência e a intuição dos conhecimentos que possuem, o que faz que imprimam o caráter que lhes é peculiar à raça corpórea que venham animar. Para isso, só necessitam de que novos corpos sejam criados para serem por eles usados. Uma vez que a espécie corporal existe, eles encontram sempre corpos prontos para os receber. Não são mais, portanto, do que novos habitantes. Em chegando à Terra, integram-lhe, a princípio, a população espiritual; depois, encarnam, como os outros.

                                                Raça Adâmica
De acordo com o ensino dos Espíritos, foi uma dessas grandes imigrações, ou, se quiserem, uma dessas “colônias de Espíritos”, vinda de outra esfera, que deu origem à raça simbolizada na pessoa de Adão e, por essa razão mesma, chamada “raça adâmica”. Quando ela aqui chegou, a Terra já estava povoada desde tempos imemoriais, como a América, quando aí chegaram os europeus.

Mais adiantada do que as que a tinham precedido neste planeta, a raça adâmica é, com efeito, a mais inteligente, a que impele ao progresso todas as outras. A Gênese no-la mostra, desde os seus primórdios, industriosa, apta às artes e às ciências, sem haver passado aqui pela infância espiritual, o que não se dá com as raças primitivas, mas concorda com a opinião de que ela se compunha de Espíritos que já tinham progredido bastante.

Tudo prova que a raça adâmica não é antiga na Terra e nada se opõe a que seja considerada como habitando este globo desde apenas alguns milhares de anos, o que não estaria em contradição nem com os fatos geológicos, nem com as observações antropológicas, antes tenderia a confirmá-las.

No estado atual dos conhecimentos, não é admissível a doutrina segundo a qual todo o gênero humano procede de uma individualidade única, de há seis mil anos somente a esta parte. Tomadas à ordem física e à ordem moral, as considerações que a contradizem se resumem no seguinte:

Do ponto de vista fisiológico, algumas raças apresentam característicos tipos particulares, que não permitem se lhes assinale uma origem comum. Há diferenças que evidentemente não são simples efeito do clima, pois que brancos que se reproduzem nos países dos negros não se tornam negros e reciprocamente. O ardor do Sol tosta e brune a epiderme, porém nunca transformou um branco em negro, nem lhe achatou o nariz, ou mudou a forma dos traços da fisionomia, nem lhe tornou lanzudo e encarapinhado o cabelo comprido e sedoso. Sabe-se hoje que a cor do negro provém de um tecido especial subcutâneo, peculiar à espécie.

Há-se, pois, de considerar as raças negras, mongólicas, caucásicas como tendo origem própria, como tendo nascido simultânea ou sucessivamente em diversas partes do globo. O cruzamento delas produziu as raças mistas secundárias. Os caracteres fisiológicos das raças primitivas constituem indício evidente de que elas procedem de tipos especiais. (Allan Kardec-A Gênese, cap. XI, Paris, 1868)

Conheça o Espiritismo ouvindo músicas e audiobooks de Allan Kardec, 24 horas no ar. www.radiomundoespirita.com

 

 

sexta-feira, 1 de maio de 2015


COISAS TERRÍVEIS E INGÊNUAS FIGURAM NOS LIVROS BÍBLICOS

A palavra de Deus não está na Bíblia, mas na Natureza, traduzida em suas leis.
A Bíblia é simplesmente uma coletânea de livros hebraicos, que nos dão um panorama histórico do judaísmo primitivo. Os cinco livros iniciais da Bíblia, que constituem o Pentateuco mosaico, referem-se à formação e organização do povo judeu, após a libertação do Egito e a conquista de Canaã. Atribuídos a Moisés, esses livros não foram escritos por ele, pois relatam, inclusive, a sua própria morte.
As pesquisas históricas revelam que os livros da Bíblia têm origem na literatura oral do povo judeu. Só depois do exílio da Babilônia foi que Esdras conseguiu reunir e compilar os livros orais e proclamá-los em praça pública como a lei do judaísmo, ditada por Deus.
Os relatos históricos da Bíblia são ao mesmo tempo ingênuos e terríveis. Leia o estudante, por exemplo, o Deuteronômio, especialmente os capítulos 23 e 28 desse livro, e veja se Deus podia ditar aquelas regras de higiene simplórias, aquelas impiedosas leis de guerra total, aquelas maldições horríveis contra os que não creem na “sua palavra”.
Essas maldições, até hoje, apavoram as criaturas simples que têm medo de duvidar da Bíblia.
Muitos espertalhões se servem disso e do prestígio da Bíblia como “palavra de Deus”, para arregimentar e tosquiar gostosamente vastos rebanhos.
As leis morais da Bíblia podem ser resumidas nos Dez Mandamentos. Mas esses mandamentos nada têm de transcendentes. São regras normais de vida para um povo de pastores e agricultores, com pormenores que fazem rir o homem de hoje. Por isso, os mandamentos são hoje apresentados em resumo. O Espírito que ditou essas leis a Moisés, no Sinai, era o guia espiritual da família de Abrão, Isaac e Jacob, mais tarde transformado no Deus de Israel.
Desempenhando uma elevada missão, esse Espírito preparava o povo judeu para o monoteísmo, a crença num só Deus, pois os deuses da antiguidade eram muitos.

O Espiritismo reconhece a ação de Deus na Bíblia, mas não pode admití-la como “a palavra de Deus”. Na verdade, como ensinou o apóstolo Paulo, foram os mensageiros de Deus, os Espíritos, que guiaram o povo de Israel, através dos médiuns, então chamados profetas. O próprio Moisés era um médium, em constante ligação com Iavé ou Jeová, o deus bíblico, violento e irascível, tão diferente do Deus-Pai do Evangelho.
Devemos respeitar a Bíblia no seu exato valor, mas nunca fazer dela um mito, um novo bezerro de ouro. Deus não ditou nem dita livros aos homens. (J. Herculano Pires-Visão Espírita da Bíblia)

 
Conheça o Espiritismo através de músicas e audiobooks. A cada 20-25 minutos escute parte de um livro de Allan Kardec. www.radiomundoespirita.com

domingo, 15 de março de 2015

                            Jesus, Judas e a Páscoa

                                                       Quem é Jesus? 
                                             Por que ainda "malham" Judas?
                                   Temos que comer peixe na sexta-feira santa?

                                         Jesus
Jesus é um Espírito Puro, ou seja, já evoluiu tudo o que poderiam evoluir os seres criados por Deus, que progridem há trilhões de anos nos trilhões de planetas e de galáxias pelo Universo afora. Só para dar uma ideia pálida da sua idade, há 4 bilhões e 500 milhões de anos, quando a Terra foi criada a partir de uma nebulosa, o Senhor Jesus aqui estava, juntamente com seus assessores, combinando os átomos e substâncias da nebulosa para formar os oceanos, os continentes, a composição do ar, da água, além de outros milhões de itens que compõem a complexidade da Terra, como também na criação da Lua, o satélite encarregado de manter a estabilidade do nosso planeta, até chegar nos primeiros seres vivos, que evoluiriam, mais tarde, para os seres humanos, tais quais somos hoje.
Vejam que Ele já era Espírito Puro há 4,5 bilhões de anos. Já havia progredido tudo o que os filhos de Deus podem progredir, quando foi convocado pelo Ser Supremo para organizar e administrar nosso planeta do Sistema Solar.
Assim somos todos nós, os Espíritos criados por Deus, desde o início, simples e ignorantes, evoluindo material e espiritualmente, até atingirmos o ápice que é a condição de Espírito Puro.
Todo o ano, neste período chamado Páscoa, massacram o Cristo. Sempre a mesma coisa. Só mostram o “Senhor morto”. E culpam a todos o tempo todo.
Ninguém mostra quem realmente Jesus é. Nada falam ou sabem falar sobre o Ser magnífico que, por mais de três anos, mostrou o verdadeiro sentido da vida a milhares de pessoas, ajudando-as a superarem inúmeros problemas pessoais, curando principalmente seus Espíritos, pois, curar o corpo para Ele era e é muito fácil.
Jesus curou o corpo de centenas de pessoas, principalmente para mostrar que Ele era um Ser Superior e que estava a serviço de Deus, pois, naquele tempo os povos não tinham ainda maturidade intelectual e espiritual para compreenderem a mensagem divina. Contudo, Seu objetivo era curar a alma, que é a mesma coisa que Espírito, e o Seu Evangelho, a Sua Mensagem veio para curar os nossos Espíritos, abrir os nossos olhos para a realidade espiritual.
O Evangelho é toda uma demonstração de amor por todos nós, com Jesus mostrando o caminho da verdadeira felicidade. É atualíssimo! Todos os problemas que vivenciamos, com crimes e violências generalizadas, dizem diretamente com a inobservância às suas recomendações. É a falta de amor e de compreensão do que somos que nos mantêm na escuridão, que nos faz cometer desatinos, e depois termos que arcar com as consequências.
Está na hora de acordarmos. Jesus não veio à Terra para tirar os pecados das pessoas e levar consigo, ou sentiu medo, como erroneamente pensam muitos, ou estava só. Ele estava e esteve muito bem acompanhado por seus colegas e assessores da Comunidade dos Espíritos Puros. Porém, seu sustento vinha, principalmente, do próprio Pai Maior. Está na hora de cair a ficha. Ele é um Ser Superior. Seu Espírito puro, mesmo encarnado, não poderia ter sentimentos de seres atrasados como nós. Um ser Elevado, como Ele, domina todas as situações, domina todos os seres de qualquer nível, de qualquer lugar no Universo. Jamais iria sentir medo em qualquer situação, até mesmo quando sabia que iria ser trucidado.  Isto porque ninguém consegue destruir o Espírito. Ele passou por tudo aquilo sabendo antecipadamente o que os homens ignorantes daquela época fariam. Ele deixou-se imolar para dar o exemplo de como se enfrenta as dificuldades. 
Jesus teve aquela missão terrível aos nossos olhos, porém, sabia e estava preparado para cumpri-la. Erroneamente, as pessoas se culparam e se culpam até hoje por tudo o que aconteceu. E ficam remoendo até hoje. Só que Ele, logo a seguir, retornou e materializou-se várias vezes, convivendo com os discípulos, ficando por aqui cerca de quarenta dias nesta condição. Demonstrou que não estava magoado com ninguém ao aparecer para seus seguidores. Orientou a todos durante este tempo, sem jamais ter se queixado do que o corpo físico havia sido submetido. Por que? 
Como já dissemos, Jesus é um Espírito Superior, não é um Espírito qualquer. Os Espíritos Elevados não sofrem como nós sofremos, não se sentem abandonados como nos sentimos, não têm a consciência pesada como temos, não são atingidos por maldades e ódios como somos, não tendo, portanto, sentimentos de mágoa ou de vingança. Eles não ficam se lastimando como nós ficamos quando alguém desencarna. Não podemos nos comparar com Ele, um Espírito Puro, dizendo, como dizem por aí, que Ele sofria como sofremos, que tinha tentações como temos, além de ter sido tentado por Satanás. Que absurdo! A Doutrina Espírita tem informações atualizadas sobre os Espíritos de todos os níveis. Estas informações estão ao alcance de todos. Basta que consultemos as obras básicas de Allan Kardec e dos demais autores Espíritas idôneos, encarnados ou desencarnados.
E, os Espíritas têm todas as informações para não pensarem simploriamente como até hoje outras orientações religiosas ainda sustentam. É o Consolador prometido pelo próprio Jesus, pois, esta é a hora necessária, em que a Humanidade terrestre se encontra mais carente, mais perdida.
Já estamos na Era do Espírito. Há 159 anos (1857), com a publicação de “O Livro dos Espíritos”, por Allan Kardec, maiores e mais profundos esclarecimentos foram transmitidos para os habitantes deste planeta, graças à bondade de Deus, que é o Amor Absoluto e, portanto, ama a todas as suas criaturas.
Então, graças ao amor do Ser Supremo, que nos criou para sermos melhores em todos os sentidos, crescendo intelectual e espiritualmente, para podermos compreender as maravilhas que nos cercam, além de podermos interagir com tudo, e colaborarmos com o Pai Supremo em suas obras, hoje, já temos uma visão melhor do que seja Deus e de quem seja Jesus.
Todos evoluímos. Não podemos ficar parados no tempo, como ocorre ainda com milhões de pessoas aqui na Terra, sempre batendo na mesma tecla, sempre vendo Jesus como apenas um “crucificado sangrento”, sofrendo, como se Ele se importasse com o massacre que sofreu. Ele é um Espírito Superior. Aqueles momentos ficaram para trás. Em pouquíssimos segundos, o Meigo Nazareno já estava em seu Paraíso Celestial.

                                                           Judas
Até hoje, séculos e séculos passados, as pessoas amaldiçoam Judas, o discípulo equivocado, que tinha uma visão política diferente sobre Jesus e sobre sua missão.
As religiões em geral nada sabem  sobre Judas, como nada sabem sobre ninguém que andou por aqui e partiu para o Além. Só sabem dizer que alguém é “santinho”, cobrando caro por isto, ou que alguém deve “arder” no fogo eterno, como fizeram e fazem com Judas e tantos outros.
E o perdão ensinado por Jesus? Nota-se que muitos ainda não assimilaram esta lição que deu origem à pergunta de Pedro: - "Senhor, quantas vezes pecará meu irmão contra mim, que lhe hei de perdoar?  Será até sete vezes?" E, Jesus: - "Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete".
Conta o Espírito Amélia Rodrigues ("Trigo de Deus", psicografia de Divaldo Franco), que, “antes de aparecer às mulheres que foram ao túmulo vazio, Jesus descera às regiões penosas do mundo inferior ao qual se arrojara Judas invigilante. Debatendo-se na constrição psíquica do laço que o enforcara e sob a truanesca zombaria daqueles Espíritos que o estimularam à tragédia, tornara-se o símbolo da suprema desdita. No aturdimento ímpar, sem poder ver o Amigo Divino, sentiu, momentaneamente, atenuarem-se-lhe as dores e a loucura, e ouviu-Lhe a voz dúlcida nos refolhos do ser:
“- Judas, sou Eu.
Confia e espera! Ainda há tempo. Nenhuma das minhas ovelhas se perderá.
Perdoa-te o ultraje, a fim de que te possas libertar da culpa e recuperar-te.
Acende a candeia da esperança e a sombra cederá.
Recorda o amor, de modo que a paz se te aninhe no coração.
Nunca te deixarei, nem te condenarei.
Hoje começa época nova e amanhã é o dia da vitória.
Repousa um pouco, pois os milênios te aguardam e eu também estarei esperando por ti”.
Suavizado o sofrimento pelo conforto da Presença, Judas adormeceu por um pouco, adquirindo forças para as futuras expiações redentoras.
No encontro que o Espírito Humberto de Campos teve com o Espírito Judas, há alguns anos em Jerusalém ("Crônicas de Além-Túmulo", psicografia de Chico Xavier), ele relata o porquê da chamada 'traição' e os sofrimentos porque passou, até atingir um grau elevado na escala espiritual, elevando-se, finalmente, e reaproximando-se do Cristo. Diz Judas: "Entregando, pois, o Mestre a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos Seus olhos. Depois de minha morte trágica, submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde, imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição, deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV. Desde esse dia em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias  que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo  das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentindo na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência... E agora, irmanado com Ele, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas, que ainda não é deste mundo, sinto nestas estradas o sinal dos seus passos divinos. Vejo-o ainda na cruz, entregando a Deus o seu destino... Sinto a clamorosa injustiça dos companheiros que o abandonaram inteiramente e me vem uma recordação carinhosa das poucas mulheres que o ampararam no doloroso transe. Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor. Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra... Quanto ao Divino Mestre, infinita é a Sua misericórdia e não só para comigo, porque, se recebi trinta moedas vendendo-o aos seus algozes, há muitos séculos Ele está  sendo criminosamente vendido no mundo, a grosso e a retalho, por todos os preços, em todos os padrões do ouro amoedado...”
Estava reservado ao Espiritismo, como a Terceira Revelação, nestes tempos, esclarecer-nos sobre todos os fatos do passado, bem como sobre tudo o que diz respeito à Espiritualidade, explicando-nos de onde viemos, o que somos, para onde vamos, além dos inúmeros “porquês” do sofrimento humano.

                                                        Páscoa
É interessante saber que a origem da Páscoa nada tinha a ver com a crucificação de Jesus, mas tinha a ver com a gratidão dos povos primitivos pela colheita de trigo, ou seja, a "festa dos ázimos", e, posteriormente, a partir de 1441 a.C., ao êxodo do povo judeu do Egito, retornando à Palestina. 
As igrejas atuais incorporaram muitas práticas e cerimônias do judaísmo e de outras culturas. 
Assim, passados poucos séculos da morte física de Jesus, os religiosos criaram a tal "semana santa", passando a insistir na hipótese de o Cristo ter subido ao Céu com o corpo físico, num flagrante descaso com as leis da Natureza. 
Ainda hoje, nesta festa chamada Páscoa, entre outras coisas, continuam a passar ideias que Jesus jamais ensinou, como a de não comer carne vermelha e a obrigatoriedade de ingerir somente peixe, tomar vinho, ou, ainda, de ter que jejuar nesta chamada "sexta-feira santa". 
Em nenhum lugar dos textos evangélicos encontramos Jesus jejuando ou não comendo este ou aquele alimento. Ensinava Ele que "o mal não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca do homem", pois, os judeus observavam muitas regras obsoletas provenientes do Judaísmo. 
Com certeza, o peixe faz bem para a saúde e temos de comê-lo semanalmente.  Contudo, tendo em vista que na sexta-feira, dita santa, os preços dos peixes sobem para as nuvens, opinamos que este é o dia menos indicado para comê-lo.
Muitas pessoas, cegamente, dizem que são obrigadas a comer peixe na sexta-feira da paixão, pois, seria pecado comer outras carnes neste dia. Pecado por quê? O que têm os alimentos de origem animal a ver com a crucificação do Cristo? Bilhões de pessoas não cristãs não observam esta regra. Será que elas não vão para o Céu, mesmo que nunca tenham ouvido falar em Jesus?
De onde tiraram isso?  Foi Jesus que ensinou a comer somente peixe no dia que “lembram” a sua crucificação? É lógico que não.  Ele jamais ensinou absurdos.
Então, perguntamos: O que o Espírito Superior, chamado Jesus, tem a ver com peixe ou qualquer sacrifício físico neste dia ou em qualquer outro do ano?  Nada!
Com certeza, alguns religiosos que, em certo momento obscuro da história, impuseram aos dominados, séculos atrás, estes dogmas, que viraram hábito, mas que, na verdade, beneficiam somente os comerciantes de peixes e de vinho em geral. Até hoje, muitas pessoas nada questionam a respeito. Por quê?   Comodismo?  Ignorância?
Muito interessante saber que Jesus, quando encarnado aqui na Terra não cumpria com nenhum ritual determinado pela religião judaica.  Não jejuava, não lavava as mãos antes das refeições, pois, isto constituía-se num ritual, sendo severamente criticado pelos fariseus e perseguido também por isto.

Atualmente, neste evento chamado Páscoa, o chamado 'mundo cristão' “comemora” o massacre de Jesus. Ficam falando e encenando o Cristo arrastando a cruz, sangrando e sofrendo, culminando com Ele pregado na cruz, mostrando o “coitadinho” sofrendo, com pregos grandes atravessando seus pés e suas mãos, os litros de sangue derramados... Em 2012, em Porto Alegre, onde todo o ano costumam encenar esse fato histórico, essa tal representação atingiu o clímax do absurdo: o ator que foi "crucificado" morreu enforcado e ninguém percebeu. Tudo é demasiado tétrico. Todo o ano massacram o Cristo. Sempre a mesma coisa. Só mostram o “Senhor morto”. E culpam a todos o tempo todo.

Sim, depois de séculos de deturpações, perseguições e massacres, sem entender a vontade de Deus,  claramente gravadas na Sua mensagem, a partir do século XIX, a Doutrina do Cristo está sendo restaurada.
São os Espíritos Superiores, com a sua Doutrina Racional que estão tirando o véu de tudo que estava oculto. Já temos condições de entender e de assimilar a verdade, para sermos livres.
Com os esclarecimentos dos Espíritos de Luz, passamos a entender as palavras de Jesus, quem é Ele e o porquê do Seu Evangelho.
Todo o massacre do Cristo, no final, fica como algo menor, perto do Amor demonstrado por Ele para com todos, dando o exemplo de humildade, sem julgar ninguém, apenas orientando e amparando a Humanidade sofredora.
É isto o que realmente importa na vinda do Messias, ou seja, a Sua postura elevada, mostrando o caminho, trazendo notícias de que Deus é o nosso Amor de sempre, que quer somente o nosso bem.
Para tanto, é necessário que abramos as nossas mentes, que “tenhamos olhos de ver”, como Ele dizia.
Jesus resumiu tudo no “amai-vos uns aos outros”. Não criou nenhuma religião, cheias de dogmas, rituais e bobagens, como vemos por aí, e, que não seguiram e não seguem os seus verdadeiros ensinamentos, como historicamente está demonstrado com perseguições e massacres de inúmeros povos (Cruzadas, Inquisição e inúmeras guerras religiosas).
Ele só pediu que nos amássemos e não que nos amassássemos. Que fizéssemos aos outros tudo o que gostaríamos que nos fosse feito. 
Toda a parafernália de dogmas, cerimônias, rituais, etc., ficaram por conta dos homens atrasados, que até hoje não entenderam e não querem entender que somos Espíritos e que reencarnamos centenas de vezes na Terra, e em outros planetas, para progredir.
São cegos conduzindo outros cegos, como Ele explicava.
Ouvindo as zombarias e ofensas que lhe eram dirigidas, naquela sexta-feira fatídica, e agora dita santa, no derradeiro minuto, pediu ao Pai de Infinita Bondade: "Pai,  perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".
Até quando, Senhor?          

 Luiz Alberto Cunha

terça-feira, 10 de março de 2015

                     Páscoa e Espiritismo

Quando comemoramos a Páscoa, mais uma vez nos defrontamos com cerimônias e posturas que não se coadunam com o homem moderno, do século XXI. Sempre é a mesma coisa, sempre estão acentuando o lado sanguinolento de um evento que ocorreu há cerca de dois mil anos. Ninguém lembra da mensagem de amor do Cristo, em que Ele mostra-nos que somos herdeiros do Altíssimo, que devemos crescer e compreender uns aos outros. Que devemos tolerarmo-nos e caminhar para o Alto. A mensagem continua esquecida. Os homens se prendem a questões externas, sem atentar para o conteúdo moral do exemplo deixado por Ele.
É interessante saber que a origem da Páscoa nada tinha a ver com a crucificação de Jesus, mas tinha a ver com a gratidão dos povos primitivos pela colheita de trigo, ou seja, a "festa dos ázimos", e, posteriormente, a partir de 1441 a.C., ao êxodo do povo judeu do Egito, retornando à Palestina. 
As igrejas atuais incorporaram muitas práticas e cerimônias do judaísmo e de outras culturas. 
Assim, os religiosos, passados poucos séculos da morte física de Jesus, criaram a tal "semana santa", insistindo na hipótese de o Cristo ter subido ao Céu com o corpo físico, num flagrante descaso com as leis da Natureza. 
Ainda hoje, nesta festa chamada Páscoa, entre outras coisas, continuam a passar ideias que Jesus jamais ensinou, como a de não comer carne vermelha e a obrigatoriedade de ingerir somente peixe ou, ainda, de ter que jejuar nesta chamada "sexta-feira santa". 
Em nenhum lugar dos textos evangélicos encontramos Jesus jejuando ou não comendo este ou aquele alimento. Ensinava Ele que "o mal não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca do homem", pois, os judeus observavam muitas regras obsoletas. 
O Espiritismo afirma ser impossível alguém ir viver no Mundo Espiritual com o corpo material, pois, lá é outra dimensão, onde vivem os seres espirituais, que não ingerem alimentos grosseiros como os nossos. A Espiritualidade é um estágio superior ao da materialidade, onde as leis são próprias daquela condição, sendo, portanto, diferentes das que regulam o mundo físico.
No passado, religiosos impuseram uma série de condutas que eram aceitas porque as pessoas não podiam contrariar a igreja dominante, que tinha poder de vida e morte sobre todos. 
Pouco mais de quinhentos anos depois do retorno de Jesus aos planos espirituais elevados, suas ideias já não eram mais seguidas pela igreja dominante. Teólogos deste período criaram dogmas que não podiam ser contestados, desfigurando a Doutrina de Amor e Perdão do Messias. 
A visão Espírita sobre a Páscoa é bem diferente da que se observa por aí, pois não tem dogmas, nem rituais, ou quaisquer cultos externos, explicando racionalmente o Evangelho  do Cristo.
Assim, a Páscoa, do ponto de vista dessas igrejas, está envolvida num contexto negativo de culpa. Pela ótica judaico-cristã, nós, os habitantes deste planeta que nos denominamos cristãos, somos culpados por Jesus ter padecido na cruz para "nos salvar" dos nossos erros e dos erros dos nossos ancestrais, em especial Adão e Eva. Estes personagens bíblicos não passam de uma lenda, haja vista que a história da evolução do homem terrestre na realidade é bem mais longa e complexa do que afirmam os textos bíblicos. As pesquisas científicas demonstram que o homem vive na Terra há dezenas de milhares de anos, bem diferente do que consta no chamado "livro sagrado".
Por outro lado, paralelamente, nesta festa-drama, dita religiosa, que se tornou a Páscoa, se bem analisada, verificaremos que são cerimônias primitivas e sempre repetitivas, nada tendo a ver com o Enviado Celeste, que afirmava ter vindo para que tivéssemos vida. 
Nesta festa temos o comércio e o consumo de produtos acrescentados nos últimos séculos. A obrigatoriedade do consumo de peixe, por exemplo, na sexta-feira, entre outras práticas, raia ao absurdo. Ao longo dos séculos isto foi introjetado nas pessoas ditas cristãs e, até hoje, vemos dificuldade de muitos em perceber que isso nada tem a ver com a crucificação de Jesus e, principalmente, com a Sua mensagem. 
O que tem a ver a carne de qualquer animal com o massacre do Cristo? 
O que pensa Jesus a respeito disso nos dias atuais? 
Acredito que deve lamentar as bobagens que temos inventado, tornando tortuosos os caminhos para encontrá-Lo e seguí-Lo.
E quanto às cerimônias tristes da chamada Via Sacra e o desfecho final, o que pensa Jesus? 
Será que Ele está magoado conosco? Daí vem a culpa inventada por judeus e os ditos cristãos, seguidores nada esclarecidos do Cristo que, menos de trezentos anos depois da Sua partida, criaram uma série de mortificações, sacrifícios e dogmas, despejando, por séculos, goela abaixo em milhões de criaturas, que até hoje nada entenderam da vinda do Messias à Terra, repetindo coisas absurdas. 
Por isso que ainda hoje se vê a repetição desse drama, e que continua sendo alimentado por igrejas que não prestaram atenção à mensagem do Cristo e muito menos possuem noção da realidade espiritual. 
Na verdade, estas religiões estão paradas no tempo. Não aceitaram e continuam não aceitando a Terceira Revelação, que traz maiores esclarecimentos para a Humanidade. 
Por isso volto a perguntar: Estaria Jesus chateado conosco porque não O entendemos e O massacramos há dois mil anos? 
Quando Ele retornou, ao terceiro dia, e passou a encontrar-se com os apóstolos, materializando-se diversas vezes, em nenhum momento queixou-se dos seus carrascos ou dos próprios seguidores que o abandonaram em suas últimas horas de vida física.
E quanto a Judas? Jesus ficou magoado com ele? 
Mas, se o Cristo sabia que Judas o trairia, por que permitiu que tal ocorresse? Por que entregou-se, deixando tudo se consumar?
Muito interessante o que escreveu Pedro de Camargo, em seu livro "Na Escola do Mestre". Ele lança inúmeros argumentos que vão desde a escolha de Judas como apóstolo, sua personalidade, e o conhecimento do Cristo a cerca do que faria. 
O Espírito Amélia Rodrigues, no livro "Trigo de Deus"(psicografia de D. Franco), relata detalhes da visita de Jesus a Judas no Umbral, poucas horas depois da crucificação, dando-lhe amparo e consolo, dizendo-lhe que não o condenava. Vejam que o Cristo jamais se contradisse ao ensinar o perdão. 
Contudo, o que temos assistido nestes vários séculos de obscurantismo, determinado pelos ditos "seus" representantes? Nada em favor de Judas, sempre sendo lembrado como a pior criatura do mundo, segundo esses religiosos. Sempre sendo malhado há mais de dois mil anos.
Assim, caberia ao Espiritismo, o Consolador, primeiro lembrar e interpretar a mensagem de Jesus que consta no Evangelho, segundo, trazendo os próprios personagens que viveram a história, como o próprio Judas, que em conversa com o Espírito Humberto de Campos, no livro "Crônicas de Além-Túmulo"(psicografia de C. Xavier), esclarecendo sua atitude na época da crucificação, comentando sobre suas reencarnações expiatórias até o século XV, encerrando sua evolução neste planeta e, desde aquela época, convivendo com Jesus no Mundo Espiritual.
E as pessoas aqui na Terra a maldizê-lo por centenas de anos, demonstrando uma ignorância tamanha.
Nós, Espíritas, encaramos a Páscoa como a derradeira lição de Jesus para a Humanidade, demonstrando a todos que devemos enfrentar nossas agruras sem revoltas e, provando a todos que a morte não existe, ao retornar no terceiro dia como havia prometido, continuando a orientar seus seguidores e a todos nós até hoje. 
Luiz Alberto Cunha

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

                                         PRECES E REZAS
O Espiritismo, quando estudado seriamente, mostra-nos que a prece é todo ato que fazemos com amor na vida, em casa, no trabalho, na rua. Deus percebe tudo. Tudo o que fazemos em benefício dos outros já é uma prece, pois Deus já sabe o que vai no nosso íntimo. E, naturalmente, tudo flui melhor para aquele que assim age, uma vez que está indo ao encontro da vontade do Pai Supremo. Naturalmente, os Bons Espíritos estarão ao lado daqueles que pensam e fazem o Bem, amparando-os e concedendo-lhes maiores recursos, tal como a parábola dos talentos contada por Jesus.
Muitas pessoas, por desconhecerem este mecanismo, costumam pedir aos outros que orem por elas. Lógico que podemos e devemos orar pelos outros, contudo, não precisamos estar pedindo às pessoas para orarem por nós. Todos temos capacidade de dirigir ao Pai Maior todos os nossos pensamentos e sentimentos, tanto de amparo como de agradecimento.  Somos seus filhos. Não precisamos de intermediários para falar com nosso Pai Celestial, e, muito menos, pagar alguém para solicitar-lhe alguma coisa, como era muito comum há algum tempo. Normalmente, quem assim age, não demonstra nenhum fervor, tendo em vista que entrega a terceiros este encargo. 
Com a vinda do Espiritismo, para aqueles que querem ver, que querem aprender, são descortinadas muitas coisas. Uma delas é que não adianta ficar repetindo rezas, rosários intermináveis, dizendo preces decoradas, como até hoje se observa por incentivo de religiosos atrasados e que mantêm seus seguidores no atraso. Deus ouve quem fala de dentro de si e não apenas pela boca, sem sentir o que diz. As tais rezas repetitivas não chegam a Deus, porque são da boca para fora e não de dentro da alma. Não partem do coração, como se diz. 
Em poucos segundos podemos elevar o nosso pensamento ao Criador e dizer-lhe algo de que necessitamos ou de gratidão a Ele. Não há necessidade de muito falar, como faziam os fariseus nas sinagogas lá na Palestina antigamente. 
Nós que nos dizemos cristãos, é bom lembrarmos que Jesus disse, certa vez, que não deveríamos nos assemelhar aos hipócritas que "oram de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas para serem vistos pelos homens". Também disse que não deveríamos pedir muito nas preces, como faziam os pagãos, que imaginavam que seriam atendidos pela multiplicidade das palavras. Jesus conclui dizendo que "vosso Pai sabe do que tendes necessidade, antes que lho peçais". 
E, nos dias atuais, nas redes sociais,  muitas pessoas, pelo visto,  que nunca estudaram os evangelhos à luz do Espiritismo, que nunca estudaram nenhum livro de Allan Kardec, lamentavelmente, ficam  a pedir "amens" para tudo, como se fossem resolver alguma coisa. Quem quer o bem dos outros basta pensar, desejar o bem delas, se não puder fazer nada concretamente, diretamente. Mas não existem palavras mágicas com poderes ditos sobrenaturais, como os tais mantras que certos povos de regiões asiáticas  utilizam.  
O homem tem o poder de realizar inúmeras coisas. Como somos filhos de Deus, Espíritos por Ele criados, sabemos que, quanto mais evoluirmos, mais descobriremos que nossa mente é poderosa e que deve ser utilizada para construir, para ajudar, para sermos úteis em qualquer lugar do Universo. 
Assim, quando pedirmos algo a Deus, os Bons Espíritos virão para auxiliar-nos a encontrarmos o melhor caminho, pois Deus não atende diretamente os seus filhos. Para tanto, existem bilhões de Espíritos em níveis diferentes para realizarem a Sua vontade. Para tudo, os Bons Espíritos  atendem em nome de Deus, conforme o nosso merecimento e a nossa necessidade. Como explica Allan Kardec, "o que Deus lhe concederá sempre, se ele o pedir com confiança, é a coragem, a paciência, a resignação. Também lhe concederá os meios de se tirar por si mesmo das dificuldades, mediante ideias que fará lhe sugiram os Bons Espíritos, deixando-lhe dessa forma o mérito da ação. Ele assiste os que se ajudam a si mesmos, de conformidade com esta máxima: 'ajuda-te que o Céu te ajudará'."
Mas existem outras questões que dizem respeito à prece, como o perdão, por exemplo. Não podemos nos dirigir a Deus quando temos mágoa dentro de nós porque alguém nos feriu, nos prejudicou. Como endereçar pedidos ao Criador com ódio no coração? Por isso mesmo que Jesus, lá no seu evangelho, lembra: "Quando vos aprestardes para orar, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai-lhe, a fim de que vosso Pai, que está nos Céus, também vos perdoe os vossos pecados. Se não perdoardes, vosso Pai, que está nos Céus, também não vos perdoará os pecados". 
Veja mais detalhes do pensamento de Jesus, à luz do Espiritismo, sobre este e  outros temas em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec. 
 Luiz Alberto Cunha

Conheça o Espiritismo através de músicas selecionadas e de audiobooks de Allan Kardec. Acesse:  www.radiomundoespirita.com